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Trem da Cantareira / Tranway da Cantareira, São Paulo, Brasil

  • Foto do escritor: Fotografia e Nostalgia
    Fotografia e Nostalgia
  • há 4 dias
  • 3 min de leitura



Trem da Cantareira / Tranway da Cantareira, São Paulo, Brasil

São Paulo - SP

Fotografia - Cartão Postal


Texto das imagens 1 a 6:

“Não posso ficar / Nem mais um minuto com você / Sinto muito, amor / Mas não pode ser / Moro em Jaçanã / Se eu perder esse trem / Que sai agora às onze horas / Só amanhã de manhã”.

Imortalizado no samba de Adoniran Barbosa, o trem da Cantareira (ou tramway da Cantareira, como também era chamado) é lendário em São Paulo.

Mas embora esteja tão presente na memória afetiva da cidade, as fotos que restaram dele não costumam ter qualidade. A internet está cheia delas, mas são imagens em preto e branco, com baixa resolução e pouca nitidez.

Por isso eu fiquei surpreso quando descobri estas. Nunca tinha visto fotos do trem a cores, e muito menos com esta riqueza de detalhes. Destaque para a estação Guarulhos, que por sinal continua em pé até hoje, embora evidentemente não seja mais usada como estação.

As fotos são de setembro de 1963 (essa é a data da revelação, impressa na moldura dos slides kodachrome). Foi justamente nessa época que Adoniran compôs o samba, que seria lançado em disco, pelos Demônios da Garoa, em 1964.

O trem, que circulava desde 1893, foi desativado menos de dois anos depois destas fotos.

As imagens são reproduzidas de slides de 35 mm da época, que apareceram à venda em Bethlehem, no estado americano da Pensilvânia. Como foram parar lá, não faço ideia. Mas fico feliz de tê-les achado e poder dar esta pequena contribuição à memória iconográfica do trem das onze.

Cinco meses depois da publicação, o vendedor lá em Bethlehem descobre que tinha mais dois slides, e eu não podia deixar de acrescentá-los ao post! Gostei especialmente da segunda imagem, que é ainda mais rara que as anteriores. Nela o trem aparece puxado por uma das locomotivas a diesel que, quando a linha já estava para ser desativada, chegaram a ser usadas em substituição às tradicionais a vapor. Texto de M. Jayo.

Texto das imagens 7 a 10:

Em junho de 2016, em um artigo na revista Drops, eu mostrava uma rara descoberta que acabara de fazer: um conjunto de imagens em cores do tramway da Cantareira, o lendário “trem das onze” de Adoniran Barbosa. Eram fotos de 1963, quando o trem já estava prestes a ser desativado.

Volto agora ao assunto porque caiu nas minhas mãos mais uma imagem interessante do trem das onze. Ao contrário daquelas, que o mostravam em seus últimos momentos, esta o registra bem no início da carreira.

Embora não traga nenhuma indicação de data, a foto tem todo o jeito de ser da última década do século 19. É contemporânea, portanto, do primeiro filme exibido pelos irmãos Lumière, L’Arrivée d’un train à La Ciotat (1895). Coincidentemente, também mostra a chegada de um trem numa estação. Mas esta estação é a Cantareira, ponto final da linha de mesmo nome que muito tempo depois seria cantada por Adoniran.

A linha começou a operar em 1893, inicialmente transportando materiais para a construção do sistema de abastecimento de água da cidade. Em 1895, já operava com trens de passageiros como o da foto. Sua estação final, ao que parece, era muito procurada nos finais de semana, pois ficava (e fica até hoje) em um local aprazível, próprio para passeios e piqueniques. A estação ainda está em pé, sem trilhos nem trens, e o lugar virou clube recreativo dos funcionários da Sabesp.

O que eu mais gosto na foto são os personagens que aparecem nelas. São doze ao todo: 8 homens, uma mulher e três crianças. Pelas roupas e fisionomias, não me parece que estejam ali para piqueniques. Acho mais provável que sejam, na maioria, trabalhadores da ferrovia e do “Restaurant Fabien”, que, como vemos, funcionava em frente.

A foto foi parar em Lamadelaine, pequena cidade em Luxemburgo. Texto de M. Jayo.

Nota do blog: Imagens 1 a 6, data 07/1963, autoria não obtida / Imagens 7 a 10, data circa última década do século XIX, autoria não obtida.

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