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Rua dos Arcos / Mudança de calçamento, 1928, Rio de Janeiro, Brasil

Foto do escritor: Fotografia e Nostalgia
Fotografia e Nostalgia
19 de set.
2 min de leitura

Rua dos Arcos / Mudança de calçamento, 1928, Rio de Janeiro, Brasil

Rio de Janeiro - RJ

N. 16111

Fotografia


A imagem 1 mostra a rua dos Arcos, na Lapa, em 1928, em foto de Augusto Malta registrando obras de mudança de seu calçamento.

Comparando as duas fotografias, podemos discorrer sobre o que ainda existe: os Arcos da Lapa (modificado) e alguns poucos prédios à frente do lado esquerdo.

Algo mais? Não. Praticamente todo o resto que aparece na imagem 1 desapareceu.

A rua dos Arcos era, então, uma rua como tantas outras do Centro: estreita, cercada por sobrados, casas comerciais e residenciais, levando ao antigo Aqueduto da Carioca.

Aliás, os Arcos já não transportavam mais água quando Augusto Malta fez a foto.

Desde 1896, a estrutura havia sido adaptada para receber os bondes elétricos de Santa Teresa, função que, apesar de todas as interrupções que ocorreram no serviço, mantém até os dias de hoje.

Continuando, boa parte daquele casario mostrado na imagem 1 ainda atravessaria alguma tempo. Porém, na segunda metade da década de 60, surgiu um projeto de urbanização e defesa paisagística dos Arcos da Lapa e do Convento de Santa Teresa.

A ideia parecia esteticamente boa: liberar o entorno para uma melhor visualização geral dos Arcos, um dos mais importantes monumentos da cidade.

Só havia um pequeno detalhe: Tinha uma cidade no caminho. Residências, comércios, serviços e parte do Centro Histórico.

E tudo isso foi abaixo!

Ao longo das intervenções executadas, especialmente na década de 1970, dezenas de imóveis foram desapropriados e demolidos, abrindo grandes áreas livres ao redor do antigo aqueduto. À época, uma publicação do próprio Governo da Guanabara falava em 40 desapropriações e cerca de 40 mil metros quadrados de praças ajardinadas.

A abertura da avenida Norte-Sul, atual avenida República do Paraguai, e a urbanização da enorme área resultante do desmonte do Morro de Santo Antônio completaram uma transformação radical deste trecho da Lapa.

Para preservar e dar visibilidade a uma construção do século XVIII, destruiu-se boa parte do cenário urbano histórico que havia crescido ao redor dela.

Se foi certo ou errado, cada um que faça o seu juízo. O resultado está nas duas fotografias. Onde Augusto Malta encontrou uma rua inteira em 1928, hoje encontramos muros, terrenos, árvores e grandes espaços vazios até chegarmos aos Arcos.

Uma sobrevivente importante daquele antigo conjunto ficou fora do enquadramento de Malta, à nossa esquerda: a construção da atual Fundição Progresso.

O prédio foi erguido em 1881 e funcionou como estabelecimento industrial até 1976. Também acabou desapropriado, em 1975, dentro dos projetos viários para a região e quase teve o mesmo destino de seus vizinhos. No início da década de 1980, quando sua demolição já havia começado, uma mobilização ligada ao pessoal do Circo Voador conseguiu interrompê-la. O prédio foi preservado e acabou transformado no conhecido centro cultural.

Portanto, naquela pequena região da Lapa temos dois sobreviventes de épocas completamente diferentes: os Arcos sobreviveram porque decidiram preservá-los.

A Fundição sobreviveu porque impediram que a derrubassem. Infelizmente o resto da rua não teve a mesma sorte, desaparecendo para sempre. Trecho de texto do Rio Ontem e Sempre adaptado para o blog.

Nota do blog: Imagem 1, data 24/08/1928, crédito para Augusto Malta / Imagem 2, data 2026, crédito para Google Maps.


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