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"País do futebol", São Paulo, Brasil

  • Foto do escritor: Fotografia e Nostalgia
    Fotografia e Nostalgia
  • há 3 horas
  • 5 min de leitura

Atualizado: há 3 horas

"País do futebol", São Paulo, Brasil

São Paulo - SP

Fotografia


Texto 1:

As duas fotos, são de um tempo em que São Paulo tinha mais espaço para o futebol. Olhando hoje para elas, não é muito fácil reconhecer o local desta partida.

Mas também não é impossível. Uma pista importante são as casas no fundo. Elas existem até hoje, e estão relativamente íntegras.

Não vou dizer onde é por enquanto. Quero ver se alguém acerta.

Para facilitar, fiz uma junção das duas fotos em que dá para ter uma visão mais abrangente. Clicando na imagem, dá pra vê-la ampliada.

Alguém arrisca um palpite?

Embora várias pessoas se manifestaram, infelizmente ninguém acertou.

Trata-se da Avenida 23 de Maio, conhecida via paulistana.

Quem quiser ver como está o local hoje, é só observar a imagem 4 do post.

As casinhas continuam todas lá, na rua Estela com a Coronel Oscar Porto, no Paraíso. Algumas delas foram bastante modificadas, mas o conjunto ainda é reconhecível.

A chaminé atrás delas, evidentemente, já não está lá, há muito tempo não existem mais fábricas na região. Mas a maior mudança mesmo ocorreu na frente, onde a Avenida 23 de Maio passou por cima do campo de futebol.

As fotos são, provavelmente, de 1952. Texto de Martin Jayo adaptado para o blog.

Texto 2:

As imagens antigas de uma partida de futebol de várzea do post vem bem calhar com o recente fracasso da Seleção Brasileira na Copa do Mundo (2026).

Mais uma vez, nosso selecionado demonstrou um futebol rídiculo, covarde, medroso, sem nenhuma relação com o DNA do futebol brasileiro, historicamente definido pela criatividade, drible, alegria em jogar e pela capacidade de improvisação individual.

Esse estilo se consolidou na busca por valorizar o talento técnico, o jogo ofensivo e a valorização do passe em relação à força física.

Atualmente essa identidade está em risco devido à europeização tática e à exportação precoce de jovens talentos. O Brasil passou a produzir menos meio-campistas clássicos, priorizando jogadores moldados para força e velocidade exigidas no mercado internacional. E como são vendidos com pouca idade, seu estilo de jogo é moldado nos países que passam a atuar, restando quase nada do que chamamos de futebol brasileiro.

São jogadores com grande preparo físico, senso tático, que cumprem uma tarefa específica, mas verdadeiros cabeças de bagre, ruins, desajeitados, sem habilidade técnica. Tais jogadores tem dificuldade para dominar a bola, erram passes simples e, quando saem do script, tomam decisões erradas em campo.

O resultado dessa política, que gera enormes ganhos financeiros para empresários, jogadores, dirigentes, está aí para todos verem: 24 anos sem que o Brasil vença ou dispute uma final de Copa do Mundo. E, pior, sendo eliminado, cada vez mais, de forma precoce e por seleções de menor expressão no cenário futebolístico mundial.

Portanto, não há mais como sustentar a máxima que nos orgulhava e, talvez, a única coisa que fazia o Brasil ser respeitado no mundo: não somos mais o "país do futebol".

A verdade é essa, embora confesso que seria melhor que fôssemos reconhecidos como um país sem violência, corrupção, segurança, educação, bem estar, saúde, políticos e juízes decentes, bom senso, respeito a legislação, etc.

Mas não somos e, nunca seremos, nada disso. Não adianta sonhar. O Brasil não vai mudar nunca. O sistema não permite, as corporações que dominam o país, enraizadas nos três poderes, tomaram o público para eles. Não existem meios factíveis para mudar essa situação. E, infelizmente, a cada dia, as condições se tornam, ainda mais, impossíveis. O Brasil, como todas as pessoas que não seguem o caminho fácil da hipocrisia já sabem, não tem solução. Usando um termo oriundo do futebol, mas que reflete bem a situação, somos um eterno "7x1"!

Mas voltando ao tema, de quem seria a culpa dessa queda, vertiginosa, do futebol brasileiro? Quem nos tornou essa piada futebolística mundial?

E as respostas são várias: dirigintes esportivos, CBF, federações, políticos, empresários, clubes, jogadores, torcedores (sim, grande parcela são verdadeiros criminosos), legislação, imprensa (que endeusa jogadores medíocres, tratando pernas de pau como craques, além de aceitar e dar publicidade a todo tipo de comportamento mimado dos mesmos), arbitragem (péssimas), sites de apostas (as chamadas "bets"), etc.

Tais respostas são de conhecimento público e incontestáveis. E, novamente, não há esperança de que essas situações mudem, falar o contrário é hipocrisia, prefiro não seguir por esse caminho (já há pessoas em quantidade suficiente na imprensa que cumprem essa função, vocês não precisam da minha ajuda).

Continuando, gostaria de citar outra coisa que, na minha opinião, também está "matando" o futebol brasileiro, grande responsável pela baixa revelação de novos talentos no Brasil: não se joga mais futebol na rua, nos campinhos, nos areiões, nas escolas, nos clubes associativos (inclusive a maioria fechou, substituídos por condomínios), etc, como antigamente!

Esses espaços acabaram, grande parte engolidos pela especulação imobiliária.

E não é só isso: os moleques de hoje preferem jogar futebol no computador, no celular, entre outros divertimentos virtuais.

Isso está acabando com a revelação de novos jogadores no Brasil! Não temos mais aquele talento que surgia nos milhares de campinhos que existiam nos bairros das cidades brasileiras. Aquele moleque que driblava, chutava, improvisava, etc.

Hoje, os meninos são matriculados em "escolas de futebol", e, na maioria delas, são incentivados pelos técnicos a não fazer tais coisas, preferindo o chamado "futebol coletivo", onde o que se destaca é o grupo, nunca um jogador.

E se continuarem, vão direto para o "banco" como forma de punição.

Insisto: um drible mais elaborado, hoje, é visto como uma tentativa de "humilhar" o adversário, nunca como habilidade, um diferencial do jogador. Inclusive, pode ser considerado uma forma de bullying, sendo completamente desestimulado.

Assim, cenas como as mostradas no post, são cada vez mais raras, lembranças de um tempo romântico, onde se praticava um outro futebol, bem diferente dessa porcaria que vemos atualmente nos campos mundo afora.

Dito isso, concluo com algo simples, mas que a maioria das pessoas parecem não perceber, que é uma opção errada, que explica muito sobre a atual (e longa) fase de fracassos que o futebol brasileiro vem passando: o Brasil vem tentando copiar o estilo de jogo europeu como forma de voltar a vencer.

Atualmente contratamos um técnico italiano, defensivista (retranqueiro), a peso de ouro, para tentar fazer o Brasil jogar como as seleções europeias.

Vejam o paradoxo: a ideia dos técnicos, imprensa e dirigentes do futebol brasileiro é tentar ganhar dos europeus jogando da forma que eles dominam e sempre jogaram, não mais da forma que o Brasil sempre jogou e teve sucesso.

Permitam-me a redundância: queremos ganhar dos europeus tentando imitar o jeito de jogar deles, o estilo de futebol que eles criaram e dominam!

Acho que não preciso dizer o resultado disso...

Texto do blog.

Nota do blog: Imagens 1 a 3, data 1952, crédito para Emílio Lucchi / Imagem 4, data 2018, crédito para Google Maps.

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