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O torneio de futebol de várzea "Desafio ao Galo" - Artigo

  • Foto do escritor: Fotografia e Nostalgia
    Fotografia e Nostalgia
  • há 2 dias
  • 6 min de leitura

O torneio de futebol de várzea "Desafio ao Galo" - Artigo

Artigo




Texto 1:

Vamos recordar um evento esportivo que foi tradicional nas manhãs de domingo das décadas de 70 e 80: o campeonato de várzea Desafio ao Galo, transmitido ao vivo por mais de 20 anos na TV Record.

Foi no início dos anos 70 que Nilton Travesso e Antônio Augusto Amaral de Carvalho, criaram o campeonato de várzea que se tornaria uma das marcas registradas da emissora. A ideia era difundir o futebol de várzea, tão presente na cultura popular, criando um campeonato televisionado em que times formados em bairros ou até em empresas pudessem competir entre si, e por que não, revelar craques que pudessem estar escondidos nos times amadores.

A cada semana, dois times se enfrentavam, e o vencedor, apelidado de “Galo”, jogava na semana seguinte com um time sorteado, que era o desafiante ao “Galo”, daí o nome “Desafio ao Galo” do torneio. As partidas eram disputadas, inicialmente, no campo do Juventus, na Rua Javari, e depois passaram a ser no CMTC Clube, no Pari. Caravanas inteiras de torcedores eram formadas e seguiam para apoiar o time do seu bairro. Os times que mais venciam durante o ano eram selecionados para disputar um outro torneio, no final do ano, chamado de Super Galo, que consagrava o campeão da temporada.

Muitos jogadores que se consagraram depois, começaram atuando no Desafio a Galo, como Casagrande, Viola, Denílson e Juninho Paulista. O capitão do penta, Cafu, também iniciou sua carreira nesse torneio. Conta-se que Telê Santana, então técnico do São Paulo, viu Cafu atuando no Desafio ao Galo e o convidou para treinar no Tricolor do Morumbi.

O torneio amador não revelou somente jogadores. Muitos dos narradores e repórteres que trabalhavam nas transmissões das partidas seguiram carreira na televisão. Um bom exemplo é Fausto Silva, que era repórter de campo e depois narrador do Desafio ao Galo, assim como Alberto Helena Júnior. O apresentador da Globo Tiago Leifert também começou como repórter de campo.

O Desafio ao Galo ficou mais de 20 anos no ar, sendo extinto em 1996. Foi um grande sucesso de audiência na Record (e depois na Gazeta) nas manhãs de domingo por tornar ainda mais popular o esporte mais popular do país. Trecho de texto de Roosevelt Garcia adaptado para o blog.

Texto 2:

O Desafio ao Galo é uma parte fundamental da história do futebol de várzea de São Paulo. Desde que Nilton Travesso e Paulo Machado de Carvalho Filho fundaram o programa (na TV Record) em 1972, estima-se que cerca de 24 mil jogadores passaram pelo torneio. Eram desde jogadores de equipes de bairros que surgiram para o futebol, até atletas aposentados que vinham reforçar as equipes, segundo Joseval Peixoto.

Também idealizador do projeto, Elias Skaf afirmou que o impacto da várzea não foi perdido com o passar dos anos: Você vê um amor maior à camisa, de quem briga mais pela bola!

Nos cerca de vinte e quatro anos que ocupou às manhãs de domingo (primeiro na TV Record e, mais tarde, na TV Gazeta), o Desafio ao Galo ficou marcado por diversas peculiaridades de seu regulamento. A começar pelo nome do programa, que vem de uma expressão do boxe: Para se manter no posto de "Galo", o time precisa, a cada nova partida, ganhar ou empatar com o seu adversário. O "Galo" continua enquanto não perder. Caso perca, o novo vencedor é que começa a ser o desafiado, lembra Joseval Peixoto. Inclusive, lembro de uma reviravolta curiosa: Foi um jogo em que o "Galo" estava perdendo e, no último minuto, teve o seu goleiro expulso por cometer um pênalti. Tiveram que improvisar o zagueiro no gol. O batedor do time que estava ganhando cobrou o pênalti na trave, a bola voltou para o meio de campo e não é que um jogador do "Galo", de longe, empatou o jogo? Se a bola fosse para fora, era o desafiante que ganhava...

Além desse item, que era o principal mote do torneio, havia outros, como um que visava coibir a violência contra a arbitragem em campo: Se um time agredisse o juiz, nunca mais jogava mais a competição.

E, embora o regulamento não tivesse limitação de participação por idade, previa a exigência de dois atletas jovens por time, no intuito de fomentar o surgimento de novos jogadores para o esporte.

Alguns nomes famosos que surgiram no torneio: Cafu, Casagrande, César Sampaio, Viola. Especificamente sobre Cafu, o Desafio ao Galo contribuiu para que o capitão do pentacampeonato da Seleção Brasileira fosse descoberto: Cafu já tinha feito vários testes e havia sido reprovado em todos. Eu lembro que jogou por um time da Zona Sul e o Telê Santana o viu disputando a partida. Logo depois, Telê o chamou para jogar no São Paulo. O Cafu só se tornou quem é graças à oportunidade que teve na várzea.

Também merece destaque, entre as equipes de futebol amador, a presença de ex-jogadores ilustres: O Desafio ao Galo abriu espaço para muitos jogadores que penduraram as chuteiras. Até campeões do mundo com a Seleção Brasileira, como Dino Sani, Djalma Santos e Orlando Peçanha jogaram na várzea.

O Desafio ao Galo também ajudou a consagrar jogadores e clubes que travavam disputas fortes na várzea de São Paulo. Um deles foi Francisco Fermino Alves.

Então goleiro do Sítio Novo, Chiquinho da Pata foi repor a bola para o jogo quando seu chute atravessou todo o campo e estufou a rede adversária. Passados 28 anos, confessa: Foi algo que nem eu esperava. Eu queria lançar meu centroavante, recordou, complementando sobre a jogada: A bola estava bem calibrada. Fui encher o pé e ela subiu muito. Aí, Deus me deu este presente incrível! De sua área, Chiquinho da Pata repôs a bola e encobriu o goleiro adversário. Ele, que se dedicou por muitos anos ao futebol de várzea, não esconde sua alegria ao falar sobre a competição: As lembranças são as melhores possíveis. Nós íamos para a outra semana sem saber quem era o adversário e a disputa era passada para o Brasil inteiro! De acordo com o goleiro, o gol ainda rende reverências frequentes a ele: Sim, fui destaque nacionalmente. Mas aqui (em São José do Rio Pardo/SP) até hoje sou respeitado e admirado. Chiquinho destaca o papel social do futebol de várzea: O futebol foi muito importante na minha vida. Graças a ele, nunca me deixei envolver com nada ilegal. E aquele gol foi um momento mágico para mim. Eu, que era um goleiro, marquei um gol e ainda apareci na televisão!

E a competição não revelou só jogadores e times competitivos. Também se destacaram nomes bons no jornalismo: O Fausto Silva, o Alberto Helena Júnior, o Tiago Leifert, que estava bem no início de sua carreira.

Elias Skaf recorda algumas equipes que se consagraram no decorrer das décadas:

O Parque da Mooca chegou a ficar 26 partidas sem perder. Tinha também o Centro da Coroa, o SDR, que promoviam grandes jogos.

Em meio a mais de duas décadas de lembranças, o Desafio ao Galo também rende histórias curiosas para quem lidou com a competição. Elias Skaf revelou que uma equipe já usou uma tática bem controversa para levar a melhor na decisão de um Super Galo: Na final do Super Galo, os times se concentram com ainda mais intensidade. Só que um time descobriu onde o outro estava concentrando e contratou garotas de programa para os jogadores adversários. A noite fez a diferença e o time, digamos, "desconcentrado", perdeu! (risos)

Além disso, em outra oportunidade, uma rivalidade entre duas equipes gerou um conflito surreal: Começou uma briga generalizada tão forte no campo, a ponto de torcedores invadirem. Aí um torcedor muito forte desferiu um soco e acabou acertando em cheio um cavalo. Caíram o cavalo e o policial juntos no chão! Trecho de texto do Lance! adaptado para o blog.

Texto 3:

O clube de maior sucesso da história do torneio foi o C. A. Parque da Mooca.

Fundado em 1924 por um grupo de amigos na zona leste paulistana, a agremiação dominou o Desafio ao Galo durante dois anos, vencendo as edições de 1974 e 1975. Nesse período, a equipe ficou incríveis 26 partidas sem conhecer uma derrota.

A supremacia no futebol amador foi tamanha que o clube decidiu se aventurar no profissional. Após garantir vaga na terceira divisão do Campeonato Paulista, o Parque da Mooca conquistou a Copa Paulista jogando contra times tradicionais do estado, como Bragantino, Jabaquara e Portuguesa Santista. Com a visibilidade no futebol paulista, a equipe ainda foi convidada para enfrentar o River Plate, na Argentina, em um amistoso internacional. Trecho de texto da Gazeta Esportiva adaptado para o blog.

Texto 4:

Há alguns anos atrás, houve uma tentativa de relançar o torneio na TV aberta, capitaneada por alguns de seus antigos idealizadores.

Assim, em 14/04/2019, na TV Gazeta, o Desafio ao Galo voltou a ser transmitido por uma emissora de TV aberta, novamente aos domingos, com narração de Joseval Peixoto, comentários de Elias Scaf e reportagens de Cléo Brandão, em uma tentativa de relançar o antigo formato.

Os jogos, que antes eram realizados no estádio do CMTC Clube, passaram a acontecer no estádio Ícaro de Castro Mello, no Ibirapuera.

Infelizmente, a tentativa não obteve o mesmo sucesso de antes, durando pouco tempo. Trecho de texto do Terceiro Tempo adaptado para o blog.

Nota do blog: Data e autoria não obtidas.

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