O "muro da discórdia" do bairro Bom Retiro, São Paulo, Brasil
- Fotografia e Nostalgia

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Muro construído por Manuel Alves Garrido, vedando por completo o acesso de moradores ao prolongamento da rua Sólon - Data circa 1916 / Autoria não obtida.

Cercas construídas durante as cheias do rio Tietê - Data circa 1916 / Autoria não obtida.
O "muro da discórdia" do bairro Bom Retiro, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia
Entre a documentação conservada no AHMWL, encontram-se curiosas informações sobre um imigrante português que tentou ampliar, desonestamente, suas terras à custa de propriedades alheias. Ao requerer a licença da Prefeitura Municipal para a construção de um muro no ano de 1916, o cidadão Manuel Alves Garrido acabou por chamar a atenção das autoridades e dos moradores da região do Bom Retiro para diversas irregularidades por ele cometidas.
Aproveitando-se do fato de seu terreno se localizar na várzea do Bom Retiro, em área pouco ocupada, expandiu aos poucos os limites dele, servindo-se das cheias do rio Tietê. A cada estação das chuvas, deslocava com facilidade e discrição as estacas de madeira de seu cercado, assim, ao final do período de cheia, sua propriedade adquiria nova configuração e metragem.
A ocupação indevida ocorreu não só em terras públicas, mas também em terrenos particulares, pertencentes a vizinhos. Esses apenas vieram a se dar conta do que ocorria quando Garrido, sem a devida licença da municipalidade, iniciou a construção do muro, fechando por completo o prolongamento da rua Sólon e isolando cerca de quinze construções aí existentes, inclusive o acesso à chácara de Antônio Roccetti, que recorreu à Prefeitura solicitando o imediato embargo da obra.
"Essa licença não pode ser dada, a não ser que a Câmara queira desistir de seu direito imemorial em benefício do dito português que se chama Manoel Alves Garrido, ou fazer-lhe uma dádiva graciosa pela sua extraordinária arte de tomar conta do que não lhe pertence."
"À Polícia:
Manda o Sr. Prefeito que se embargue um muro que está sendo construido no prolongamento da rua Sólon, esquina da rua Capitão Matarazzo, pertencente a Manoel Alves Garrido, por fechar trecho de rua."
O conflito entre os dois vizinhos havia-se iniciado de fato em 1910, quando Roccetti deu início a uma Ação Ordinária de Reivindicação na Justiça, por ter notado a invasão de suas terras pelo esperto vizinho. O fechamento da rua provocou também abaixo-assinados por parte dos moradores, impedidos de ter acesso à rua Sólon.
No final do processo, Manuel Alves Garrido foi obrigado a devolver aos legítimos donos as terras que ocupou indevidamente: cerca de 100.000 metros quadrados de terrenos municipais e 15.000 de terrenos particulares. Texto de Guido Gustavo Venturini Flud Alvarenga.
Nota do blog 1: "AHMWL" significa Arquivo Histórico Municipal Washington Luís.
Nota do blog 2: Data efetiva não obtida (circa 1916) / Autoria não obtida.



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