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Navio de emigrantes (Navio de emigrantes) - Lasar Segall

  • Foto do escritor: Fotografia e Nostalgia
    Fotografia e Nostalgia
  • 12 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura

Navio de emigrantes (Navio de emigrantes) - Lasar Segall

Museu Lasar Segall, São Paulo, Brasil

OST - 230x275 - 1939-1941


Texto 1:

Os diversos deslocamentos de Segall entre o Velho e o Novo Mundo, cruzando o Atlântico, produziram instantâneos de viagem, retratos de diferentes tipos humanos, o cotidiano dos marinheiros, detalhes das embarcações e principalmente a experiência da imensidão do mar em confronto com a fragilidade do destino humano. Seus apontamentos deram origem, no final dos anos 1920, às gravuras da série Emigrantes e, durante a Segunda Guerra Mundial, à tela Navio de emigrantes. A biografia de Segall, que percorreu enormes distâncias geográficas, culturais e afetivas, para se tornar um artista brasileiro, cruza-se com a dos emigrantes homenageados nesta tela, grandiosa alegoria da emigração e um testemunho veemente da história do século XX, na qual a questão da emigração tem papel de destaque, envolvendo vários povos. Texto do Google.

Texto 2:

Lasar Segall foi um renomado artista plástico judeu e um dos principais nomes do modernismo brasileiro. Nasceu em 1889, na cidade de Vilna (capital da atual República da Lituânia). Com influências do expressionismo e impressionismo, o autor abrange diversas temáticas em suas obras e teve a migração como foco principal em muitas delas. Sendo um artista judeu, a perseguição, a discriminação e a violência fizeram parte de toda a sua infância, vivida sob o regime czarista vigente no Império Russo.

Segall afirmava que "cada homem é filho do seu tempo e a sua expressão, é a expressão do seu tempo". Sendo assim, com forte engajamento político e responsabilidade social, as migrações e os deslocamentos, constantes no cotidiano dos judeus orientais, também estiveram presentes em muitas de suas obras. Grupo de emigrantes no Tombadilho (1928), Emigrantes (1929), Primeira Classe (1929) e Navio de Emigrantes (1939-1941) são exemplos de representações dessa temática.

Em Navio de Emigrantes, produzida no contexto da Segunda Guerra Mundial (1939-1941), o artista retratou a intensa experiência da migração. Com as suas próprias experiências pessoais, como um artista migrante autoexilado no Brasil, nota-se o intuito de expressar os profundos e impactantes sentimentos de angústia e preocupação dos passageiros rumo a um novo destino incerto e desconhecido.

Assim, abrangendo sentimentos de caráter tenso e apreensivo, Segall buscou atrair o público para uma intensa representação da combinação entre aflição e expectativa, comumente vivenciada pelos povos migrantes. Nesse cenário, Mário de Andrade enalteceu tal habilidade brilhantemente exercida por Segall em conciliar sentimentos tão heterogêneos, afirmando que: "sem nunca abandonar o essencial expressivo no qual suavemente agora transparece a mesquinhez da condição humana na terra, ele pôs ao lado da dor a alegria. Não como um contraste, porém, como uma fusão".

Nesse quadro em específico, além do desconforto perante à superlotação da embarcação, é possível notar feições cansadas, aflitas e pensativas na representação dos passageiros. À vista disso, cada detalhe na obra contribui para a composição de um cenário dramático: as fortes ondulações das ondas representando um mar agitado, o caráter quase fantasmagórico das duas aves que sobrevoam o céu e as nuvens escuras carregadas com matizes ameaçadoras colaboram para uma imersão na dramaticidade da obra.

Por certo, os séculos XIX e XX foram um período de grande deslocamento humano, sendo a migração para o Brasil parte integrante de um grande projeto de colonização das áreas fronteiriças do país e de transição para o trabalho livre pós-abolição. No entanto, a representação artística realizada por Segall poderia ser compreendida para além de um registro desse processo histórico, demarcado por um contexto socioeconômico do Brasil. Diante disso, o quadro Navio de Emigrantes também pode ser interpretado como a expressão da própria experiência do artista, que, enquanto judeu migrante, também foi alvo de perseguição e violência antissemita no seu país de origem.

Fica claro, portanto, que o olhar repleto de sensibilidade de Lasar Segall, ao mesclar dor e esperança nas suas representações dos processos migratórios, traz forte visibilidade e legitimidade às complexas experiências de migração e exílio vivenciadas por milhares de famílias de diferentes valores sociais, étnicos e econômicos. Sendo assim, ao dar importância à função social da arte em conduzir reflexões socioculturais e utilizá-la como fator de resistência e manifesto político-social, Segall mostra-se como um artista excepcional de grande valor não apenas para o campo artístico, mas também para a sociedade brasileira como um todo. Texto de Nicole Silva / Museu da Imigração.

Localizado na rua Berta, 111, Vila Mariana.

Nota do blog: Data e autoria das imagens não obtidas / Crédito da postagem para Kiyoshi Hiratsuka.


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