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Monumento ao Senhor Bom Jesus da Lapa e Dona Pequena do Nascimento, Jardinópolis, São Paulo, Brasil

  • Foto do escritor: Fotografia e Nostalgia
    Fotografia e Nostalgia
  • 21 de mar.
  • 3 min de leitura

Monumento ao Senhor Bom Jesus da Lapa e Dona Pequena do Nascimento, Jardinópolis, São Paulo, Brasil

Jardinópolis - SP

Fotografia


Monumento inaugurado em 27/07/1998.

Texto sobre a história de Pequena do Nascimento 1:

Mulher, negra, pobre, mãe solo.

Pequena do Nascimento carregou todas as dificuldades que esses adjetivos e substantivos trazem consigo para aqueles que os tem.

A história diz que Pequena levou um tiro na Bahia e ficou cega. Devota que era do Senhor Bom Jesus da Lapa, fez uma promessa de que sairia em peregrinação e na cidade em que voltasse a enxergar, iniciaria uma festa em louvor a Jesus.

Jardinópolis foi a cidade em que esse milagre aconteceu. Pequena cumpriu sua promessa e iniciou a tradicional festa em 1913.

Não bastasse ser mulher, negra, pobre e mãe solo, Pequena enfrentou uma das maiores instituições do mundo sozinha, a Igreja Católica. Na época, diziam que a “Lapa da Pequena” privilegiava o lado social, que acontecia após a recitação do terço (nesse período, só era realizada missa no último dia).

Aos poucos essas divergências foram aumentando, a Igreja exigiu organizar a festa, Pequena não aceitou e houve um racha na cidade: durante anos, Jardinópolis realizou duas festas da Lapa, a da Igreja e a da Pequena.

Importante dizer que eram anos anteriores ao Concílio Vaticano II, as missas eram realizadas em latim, o padre ficava de costas para os fiéis, o povo então, entre assistir uma missa em latim e rezar um terço ao lado de pessoas humildes como elas e depois ainda se divertir, preferia ficar com a Lapa da Pequena.

A festa da Lapa da Igreja, diriam os jovens hoje, flopou. Com a intercessão de grandes nomes do cenário político da época (como Mário Lins), Igreja e Pequena entraram em acordo e, juntos, passaram a organizar a Festa do Bom Jesus da Lapa, com missas e festas em harmonia como é até os dias de hoje.

Atualmente falamos de mulher empoderada, e aqui em Jardinópolis, temos um exemplo claro do que é ser uma verdadeira mulher empoderada. Pequena enfrentou todos os desafios que a vida lhe impôs, e superou todos.

Hoje está sepultada dentro do Santuário do Senhor Bom Jesus da Lapa, e se voltarmos ao início desse texto, veremos o que isso representa, uma mulher pobre, mãe solo, sepultada dentro de uma igreja. A fé venceu, a fé popular venceu.

Que nesse dia 6 de agosto, dia do Nosso Senhor Bom Jesus da Lapa, possamos ter a fé, a determinação e a garra de Pequena do Nascimento, uma mulher que mudou para sempre a história de Jardinópolis.

Viva o Senhor Bom Jesus da Lapa, viva Pequena do Nascimento! Trecho de texto do jornal "A Cidade de Jardinópolis", publicado em 04/08/2023.

Texto sobre a história de Pequena do Nascimento 2:

Para que tivesse sua história resgatada, Juventina do Nascimento (1885-1950) teve seus restos mortais desenterrados e transferidos para uma capela construída para ela no município de Jardinópolis.

O ritual de exumação e cortejo foi realizado em 28/07/2014, como abertura da novena que antecede a festa de Senhor Bom Jesus da Lapa, no dia 6 de agosto.

Pequena do Nascimento, como era conhecida, é considerada um exemplo de devoção. Foi ela quem criou a festa de louvor e quem também iniciou a construção do santuário da cidade.

Ela era de Condeúba, na Bahia, e chegou a Jardinópolis por volta de 1910. Por lá, além dos feitos, ela supostamente recebeu um milagre.

Há poucos documentos e sua história é permeada de lacunas e dúvidas.

Pequena teria nascido cega e fez uma promessa de que no mesmo local onde recuperasse sua visão, ergueria uma capela em homenagem ao seu santo padroeiro, ela teria voltado a enxergar assim que chegou a Jardinópolis.

Era uma figura mística e de personalidade forte.

Pequena trabalhou como doméstica e comandou reuniões religiosas na capela que construiu com doações.

A exumação dos restos mortais foi acompanhada por cerca de cem pessoas que também fizeram o cortejo do Cemitério Municipal de Jardinópolis até o Santuário de Senhor Bom Jesus da Lapa. A caminhada foi liderada pelo padre Ilson Vicente Olímpio.

A capela que agora abriga os restos de Pequena recebeu o nome de Nossa Senhora da Boa Morte e está aberta à visita ao lado da igreja no santuário de Jardinópolis. Trecho de texto de Camila Turtelli / Folha de São Paulo.

Nota do blog: Data 2025 / Crédito para Jaf.

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