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Inauguração da estrada de rodagem São Paulo - Ribeirão Preto, 1922, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil

  • Foto do escritor: Fotografia e Nostalgia
    Fotografia e Nostalgia
  • há 14 horas
  • 5 min de leitura

Inauguração da estrada de rodagem São Paulo - Ribeirão Preto, 1922, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil

Ribeirão Preto - SP

Fotografia


Texto 1:

A imagem retrata a cerimônia de inauguração da estrada de rodagem São Paulo - Ribeirão Preto, com a presença do presidente do Estado de São Paulo, Washington Luís, e do prefeito de Ribeirão Preto, João Rodrigues Guião, em 02/07/1922.

O trecho mostrado é a esquina das ruas Prudente de Morais e Floriano Peixoto, ainda de terra. Texto do blog.

Texto 2:

Promete revestir-se do maior brilhantismo a inauguração, no dia 2 de julho, da estrada de rodagem que ligará São Paulo a Ribeirão Preto.

Uma comitiva oficial sairá de Campinas e percorrerá o trajeto no sentido interior.

Por todas as cidades por onde atravessar o presidente do estado de São Paulo (governador), Washington Luís, estão sendo preparadas festivas recepções. Por exemplo, na encruzilhada com o ramal de São Simão, bandas de música e escoteiros se apresentarão.

Só duas horas após a passagem do último automóvel da comitiva por cada localidade é que o trecho da estrada será entregue ao público. Texto da Folha de São Paulo, publicado em 30/06/1922.

Texto 3:

Em 02/07/1922 foi inaugurada a estrada de rodagem São Paulo - Ribeirão Preto.

A solenidade, não obstante incessante chuva, aconteceu às 17:30 hrs, no cruzamento das ruas Prudente de Morais com Floriano Peixoto. A ela estiveram presentes, além do presidente do Estado de São Paulo, Washington Luís, o prefeito de Ribeirão Preto, João Rodrigues Guião, Heitor Teixeira Penteado, secretário da Agricultura, Viação e Obras Públicas, Álvaro Gomes da Rocha Azevedo, secretário da Fazenda, Alarico Silveira, secretário do Interior, João Penteado, secretário da Educação, o deputado estadual Júlio Prestes, o presidente da Câmara Municipal, Francisco da Cunha Junqueira, os juízes de Direito, Manoel Carlos de Figueiredo Ferraz e Joaquim Mamede da Silva, os vereadores Mário Luiz Monteiro da Silveira, Fábio de Sá Barreto e Pedro Marzola, o general Antoine François Nerel, chefe da Missão Francesa instrutora da Força Pública, Eduardo Lopes e Joaquim Macedo Bittencourt, ex-prefeitos, Guilherme Kulmann, Jacintho de Souza, André Martins de Andrade, Jorge Lobato e numeroso público.

É de se recordar que, Washington Luís, muito ligado à região (fora advogado e prefeito em Batatais/SP), chegara à presidência do Estado (governador) sucedendo a Altino Arantes (também de Batatais e genro de Quinzinho Junqueira), na qual ficou de 01/05/1920 até 01/05/1924, tendo consolidado sua posição de comando na comissão executiva do Partido Republicano Paulista (PRP). A prioridade de seu governo era o povoamento do interior do Estado e obras rodoviárias. Seu lema era "Governar é abrir estradas", que utilizou na campanha eleitoral de 1920 para presidente do estado, e, depois, para presidente da República, tendo sido eleito e cujo mandato foi de 15/11/1926 a 24/10/1930, quando acabou deposto pela Revolução de 30.

Devido ao lema, e além de já ser conhecido como "O paulista de Macaé/RJ", recebeu o apelido de "Estradeiro".

A propósito da estrada inaugurada, denominava-se EE-6000. Saía de São Paulo, em direção a Jundiaí, tendo seu final nas barrancas do rio Grande.

Em 1920, Washington Luís, assim que fora eleito presidente do Estado, determinou a aceleração dos trabalhos do trecho São Paulo - Jundiaí e seu prolongamento até Campinas. Autorizou a contratação de trabalhadores assalariados, que substituíram os presidiários anteriormente utilizados. Foi a primeira estrada planejada e executada em função dos veículos motorizados, porém era de terra.

No mesmo ano de 1920, era iniciada a construção do trecho Campinas - Ribeirão Preto. O trecho São Simão - Cravinhos - Vila Bonfim - Ribeirão Preto, passava no cume da serra (no alto, à direita de quem olha do pedágio de São Simão - Fazenda Capim Velho, por detrás do hoje "Posto Frango Assado"), Cravinhos, serra do Cantagalo, fazendas Buenópolis e Brejinho, Vila Bonfim, prosseguindo na parte (ainda rural) em que hoje estão a rodovia Bonfim Paulista - Ribeirão Preto e a atual avenida Presidente Vargas (ainda não existia a avenida Independência). O acesso à cidade dava-se pela rua Prudente de Morais e a saída era realizada pela rua Lafaiete.

Em decorrência da abertura e extensão de estradas, foi fundada a Associação de Estrada de Rodagens (AER), a qual, através de sua revista “Estrada de Rodagem / Boas Estradas”, difundiu o uso do automóvel para o turismo na década de 1920 no estado de São Paulo. Publicada a partir de 1921, objetivou realizar grande divulgação em favor do automóvel e das estradas de rodagem que estavam sendo implantadas durante o governo Washington Luís (1920-1924). Incentivava outros viajantes, através de levantamento de roteiros e descrições de viagens realizadas pelos leitores. As viagens, geralmente, acompanhavam a abertura de estradas e as extensões, sendo certo que muitos depoimentos foram feitos, a partir de 1922, de viajantes que se colocavam na estrada, sendo que muitos deles chegaram ou passaram por Ribeirão Preto.

Ainda a propósito da inauguração, no dia 02/07/1922, um domingo, Washington Luís e comitiva partiram de Campinas, tendo sido homenageados em Carioba (Americana), Limeira, Araras, Leme, Pirassununga, Porto Ferreira, Santa Rita do Passa Quatro, São Simão, Cravinhos e Vila Bonfim. Aqui chegados, na confluência das ruas Prudente de Morais e Floriano Peixoto, depararam-se com um arco em sua homenagem, com flores, bandeiras, estandartes e faixas, sob o qual foi descerrada a fita de inauguração da estrada de rodagem e feitos discursos e homenagens. Assim que terminou a solenidade, um cortejo de cerca de 80 automóveis, escoltado por um piquete de lanceiros a cavalo, dirigiu-se ao Centro da cidade, deixando Washington Luís no palacete do cafeicultor capitão Joaquim Firmino de Andrade Junqueira (esquina das ruas Tibiriçá e Florêncio de Abreu), onde se hospedou. Prosseguindo nas solenidades, às 20 horas, realizou-se magnífico banquete no Paço Municipal. Ao brinde de champagne, Fábio Barreto proferiu eloquente discurso. O menu, "en français", foi: Crême a la royale, Fillet de poisson grisé, Vol-au-vent au financier, Côtelette de Mouton au Jardinier, Dinde a la brésilienne, Asparge à la sause hollandaise e Enveloppe de pomme. Licores, café e charutos. Vinhos: Sauternes, Barsac, Chablis, Pontet Canet, Chambertin Pommard, Bollinger, Clicquot, Pomery. O prefeito João Rodrigues Guião era um anfitrião refinado (dois meses depois, em 27/08/1922, ofereceria idêntica recepção ao presidente da República, Epitácio Pessoa, por ocasião da inauguração da usina Eletro-Metalúrgica e, em 07/09/1922, ofereceu à melhor sociedade outro banquete em comemoração ao Centenário da Independência). Abrilhantou o jantar excelente orquestra, sob a regência do maestro José Delfino Machado. Após o jantar, ainda no Paço Municipal, prosseguiu a festa com concorrido baile, organizado pelas damas Elsa Penteado Pompeu de Camargo, Georgina Junqueira Silveira, Odette de Lemos, Lhyria Stauffer, Ivoé Valentie Cajado, Maria Monteserrat de Mattos e Dulce Murca. A noitada foi animada por outra orquestra, agora sob a regência do maestro Carlos Volani Nardelli. Os tempos eram outros, ainda remanescentes da Belle Époque. O período era de prosperidade, bonança e ostentação. Fartavam-se à mesa os dirigentes, a oposição e a imprensa.

Ainda, como curiosidade, temos que, na década de 1950, a EE-6000, com retificações, passou a denominar-se SP-328. A partir de 1948, quando começou a pavimentação, já no governo do interventor federal Ademar Pereira de Barros e com as devidas retificações, o nome passou a ser Via Anhanguera (SP-330). Em1953, houve a duplicação da Anhanguera, de São Paulo a Jundiaí; em 1960, até Campinas; em 1961, de Campinas a Limeira; em 1976-78, de Limeira a Porto Ferreira; em 1978-80, de Porto Ferreira a Ribeirão Preto; e, finalmente, de 1980-82, de Ribeirão Preto a Igarapava. Trecho de texto da Plataforma Verri adaptado para o blog.

Nota do blog: Data 1922 / Crédito das imagens para "Illustração de São Paulo".


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