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Imagens da Estação da Memória / Antiga Estação Ferroviária de Joinville, Santa Catarina, Brasil

  • Foto do escritor: Fotografia e Nostalgia
    Fotografia e Nostalgia
  • há 1 dia
  • 9 min de leitura

Imagens da Estação da Memória / Antiga Estação Ferroviária de Joinville, Santa Catarina, Brasil

Joinville - SC

Fotografia


Texto 1:

Inaugurada em 1906, a Estação Ferroviária de Joinville faz parte da linha São Francisco, que ligava o porto de São Francisco do Sul ao município de Joinville e que, em 1909, foi expandida até a colônia Hansa (atual Corupá). O ramal ainda é utilizado para o transporte de cargas, tendo como destinos finais a estação de Mafra e o porto de São Francisco do Sul.

A edificação original foi construída em técnica enxaimel, com estrutura de ma­deira vedada com alvenaria rebocada. O prédio original recebeu ampliação em 1917, sendo acrescido por outros dois módulos edificados em alvenaria autoportante de tijolos.

A Estação Ferroviária de Joinville destaca-se na paisagem do bairro e constitui um dos símbolos da cidade mais populosa de Santa Catarina. Os elementos de madeira da estrutura do telhado e das paredes, esquadrias, guarda-corpos, mãos francesas e empenas são de esmero construtivo singular, com peças de carpintaria requintadamente trabalhadas. No eixo simétrico da fachada frontal destaca-se a torre, que se eleva como marco visual na vizinhança.

Foi tombada pelo Iphan em 2015, como um dos bens relacionados com a imigração em Santa Catarina. Trecho de texto do Ministério da Cultura.

Texto 2:

Em agosto de 1906, Joinville estava em festa. Um grupo de políticos e empresários rumou para São Francisco do Sul para receber o presidente Afonso Pena, que visitaria a cidade. Ao contrário da comitiva que foi recepcioná-lo na cidade vizinha, ele não pegaria o vapor Babitonga e cruzaria o rio Cachoeira para chegar a Joinville. Viria de trem. Sua chegada foi o marco de uma obra fundamental no desenvolvimento e na comunicação da região ao longo do século 20: a Estação Ferroviária de Joinville.

Os festejos não revelavam, entretanto, as dificuldades para fazer com que o projeto da Companhia Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande incluísse a linha até Joinville no ramal de São Francisco do Sul ao rio Paraná (Porto União). E nem o fato de que ainda faltava muito para ser concluída. Quando o presidente chegou no prédio da estação, a viagem só era possível no trecho entre Joinville e São Francisco do Sul – e mesmo assim através de uma ponte provisória no Linguado. O interior ainda não estava conectado. Somente em 1910 a ligação entre São Francisco do Sul e Hansa foi entregue – porém ainda faltava o trecho restante, que iria até o rio Paraná. São Francisco, Hansa, Paraty, Jaraguá…as estações foram inauguradas ao mesmo tempo.

A construção da estrada de ferro que ligaria São Paulo ao Sul do País começou em 1889, ainda no Império, quando a Companhia Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande obteve a concessão para a construção da ferrovia e privilégios como a posse de terras devolutas ao longo das vias. Estas terras poderiam ser usadas tanto para colonização quanto para a extração mineral ou vegetal (um exemplo é a extração de madeira que foi realizada). A linha férrea passaria pelo interior de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, até chegar ao Rio Grande do Sul, fazendo a ligação destes Estados.

Aos cuidados do engenheiro civil Joaquim Leite Ribeiro Jr. foram realizados os primeiros estudos do ramal São Francisco do Sul-Rio Paraná (Porto União). O traçado foi definido em 1901, conforme consta em edição especial datada de 1910 da jornal "Gazeta de Joinville".

Apesar de na época já ser um importante polo econômico na região, Joinville não constava nesse trajeto. Pelo projeto inicial, o traçado da linha passava a uns 25 quilômetros ao Sul, sem atingir Joinville. A ligação com o Planalto e com São Francisco do Sul por trem, porém, trazia boas perspectivas para as trocas comerciais com Joinville, que estava no centro do beneficiamento e exportação da erva-mate. Até aquele momento, a mercadoria descia pela Estrada Dona Francisca em carroções, era industrializada na cidade e enviada para exportação em São Francisco do Sul, pelo rio Cachoeira.

A erva-mate, entretanto, não era o único produto que se beneficiaria com a nova via de escoamento. Havia a madeira, que tornou-se outro grande ciclo econômico para Joinville, além da própria produção dos colonos que crescia. "Não só São Francisco tem muito a lucrar. Paraty, Hansa, Rio Vermelho, São Bento, Lucena, Porto União e ainda tem todo este centro até o rio São Francisco, espaços em branco por carência de população, todos compartilharão dos mesmos efeitos propulsores que dará a travessia da linha férrea, esse conduto vital que escoará para o futuroso porto do Atlântico os produtos dessas riquíssimas paragens”, explicava a Gazeta de Joinville na edição especial de inauguração, em junho de 1910.

Assim, agilizar esta troca comercial era relevante econômica e politicamente para a região – e o trem era um caminho para isso.

Consta, por exemplo, que nos anos 1960 a safra de bananas, por exemplo, era escoada pela via férrea. Os agricultores do local levavam as bananas até grandes galpões junto à estação, onde o trem parava para ser carregado diretamente.

Para tentar reverter a situação e incluir Joinville no traçado, em 1902, a Câmara Municipal recorreu ao então Ministro da Viação, o catarinense Lauro Müller, e, por fim, o desvio para Jonville passou a fazer parte do projeto em 1903. Com isso, em 1904 o projeto contava com o primeiro trecho da linha, ligando o porto de São Francisco do Sul até a vila de São Bento, com 144 quilômetros. Ao longo da primeira década do século 20, a medida que a obra era executada, este projeto foi redefinido e foram concluídos 96 quilômetros de vias permanentes, ligando São Francisco do Sul a Hansa-Humboldt, a atual Corupá.

A construção do ramal que ligava São Francisco ao rio Paraná começou em dezembro de 1904, aos cuidados do engenheiro Joaquim Leite Ribeiro Jr., o mesmo que havia sido responsável pelos estudos topográficos do traçado. Assim, a terraplenagem começou em janeiro de 1905, tomando o rumo São Francisco-Joinville-Itapocu. O ramal São Francisco iria incluir Paraty (a atual Araquari), Joinville, Bananal (Guaramirim) Jaraguá (Jaraguá do Sul) e Hansa-Humboldt. As oficinas de manutenção ficavam em São Francisco do Sul.

Um dos grandes desafios da obra foi a ligação entre a ilha de São Francisco e o Linguado. O hoje tão discutido aterro do Linguado, iniciou-se em princípios de 1906. A Gazeta de Joinville explica a obra em uma pequena nota, publicada em março de 1906. "Sob o comando do engenheiro Ignácio d’Oliveira, o aterro era difícil e foram usadas pilhas de dormentes no local para fazer uma passagem provisória. Um pouco atrasado, o serviço de entulho entre as duas ilhas, por motivos insuperáveis, está se fazendo por meio de pilhas de dormentes umas pontes provisórias que, facilitando a passagem da locomotiva e carros, abreviará o serviço do entulho", consta no jornal, que prossegue mais adiante detalhando o trabalho: “Entre a ilha e o continente fez-se um aterro de pedras de 8.000 metros cúbicos, atendendo-se ao fluxo e refluxo da maré, notavelmente forte naquele lugar, devido à proximidade da barra do Sul”.

A Gazeta de Joinville destaca ainda a construção de uma ponte, também provisória, para ligar a ilha ao continente. Esta ponte tinha 400 metros e a previsão é que a definitiva fosse menor. O certo é que com esses trabalhos, a previsão era de que o trecho entre São Francisco e Joinville pudesse ser inaugurado até o final de julho daquele ano. E efetivamente, no final de junho de 1906, um trem passou pela primeira vez na ponte provisória do Linguado.

No início de 1906, o prédio da Estação Ferroviária de Joinville já estava saindo do papel. A planta havia sido aprovada no final de 1905 pelo engenheiro fiscal do governo, Campos Melo. A área, no final da rua Santa Catharina, pertencia à família Joenck. A administração da obra ficou a cargo do empresário Fernando Lepper, proprietário de uma conceituada marcenaria com máquinas a vapor, na atual rua Princesa Isabel, que produzia material para a região e para exportação. É possível que a obra do madeirame seja dele. Era também especialista nisso, nos adornos, tendo em vista que, na época, a marcenaria de Fernando Lepper era a maior de Joinville.

A obra foi feita rapidamente e em 29 de julho daquele ano o primeiro trem chegava à Estação Ferroviária de Joinville. Na prática, os trilhos ainda não haviam chegado e a locomotiva teve que esperar, parada, a um quilômetro do local até os funcionários terminarem o trabalho. Às 5 horas da tarde ficou concluído o assentamento provisório dos últimos trilhos. O pessoal de trabalho voltou onde estava a locomotiva, ocupou o primeiro carro e, às 17h20, debaixo de vivo entusiasmo popular, o primeiro comboio entrou na estação”, consta na Gazeta de Joinville.

Em 8 de agosto, a comitiva do presidente Afonso Pena chegava de trem e desembarcava na recém-construída Estação Ferroviária. Apesar disso, não há nenhum registro nos jornais sobre uma inauguração oficial do espaço ou do trecho naquela ocasião.

O certo é que a cidade se preparou para receber os visitantes. No final de julho de 1906, o superintendente Procópio Gomes de Oliveira pedia a colaboração dos moradores da cidade para pintar as suas casas, se necessário, limpar os jardins e até retirar as estrumeiras “que estão aí infectando os ares”, conforme publicado na Gazeta de Joinville. O presidente foi recebido com festas e em sua homenagem foi realizado um banquete no Salão Berner, seguido de um concerto e baile no Salão Walther. Consta que nessa visita o presidente Afonso Pena teria atribuído a Joinville o título de “Cidade das Flores”. A Gazeta de Joinville, porém, não faz nenhuma menção a isso.

A entrega do trecho do ramal entre São Francisco e Porto União só ocorreu em maio de 1910 – a obra toda ainda levaria alguns anos para ser concluída. Naquele mês, a Gazeta de Joinville informava na primeira página que a Companhia de Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande havia entregado aos fiscais do governo federal o trecho da linha férrea que ia de São Francisco a Hansa. Com um vagão de primeira classe e dois de segunda classe, o trem saiu da Estação de Joinville às 8h da manhã e rumou para Hansa, parando nas demais estações do trecho.

Ao longo do século 20, a estrada de ferro fez parte do dia a dia dos moradores da região. E não só na vida econômica, como no transporte de cargas. As poucas estradas eram precárias e o transporte rodoviário era raro e desconfortável. Enquanto isso, a ferrovia possibilitava a ligação rápida e confiável entre os municípios. “A gente ia de trem para todos os lugares”, recorda a costureira Christina Schröder, aos 72 anos. Nascida em Corupá, ela conta que nos anos de 1950 e 60 o trem era o principal meio de transporte de Corupá para Curitiba, São Bento do Sul ou Jaraguá do Sul. “Meus pais andavam só de trem. Ônibus não tinha, só em Joinville”, explica ela, contando que em Corupá, naqueles dias as pessoas usavam a bicicleta, as carroças ou a montaria.

Em 1959, aos 16 anos, ela pegou o trem em Corupá de manhã bem cedo e rumou para Joinville. Vinha trabalhar como auxiliar de enfermagem no Hospital Dona Helena. A viagem levava cerca de duas horas e meia e virou uma rotina em sua vida. Acumulava os dias de folga e a cada dois ou três meses, pegava a locomotiva para rever a família. Havia vários tipos de trem: o misto, com carga e passageiros, um que era só de passageiros, e a litorina, que tinha apenas um vagão e era bem rápida. “O mais rápido era a litorina, que tinha um vagão só, como um ônibus. Fazia somente uma viagem por dia”. Nas locomotivas havia a primeira classe, com poltronas, mais confortável. E a segunda classe, com bancos de madeira, porém com passagem mais barata.

Dentro do trem era possível comprar lanches, mas isso era feito principalmente nas estações. “Vendiam frutas, flores. As pessoas iam por fora da estação, passavam pelas janelas, vendendo os produtos”, recorda. Trecho de texto do ND Mais adaptado para o blog.

Texto 3:

A Estação de Joinville foi construída junto à cidade, segundo contam, por exigência da própria cidade. Por isso a linha faz uma grande curva para o norte e depois retorma o sul no sentido de São Francisco do Sul.

A inauguração da Estação ocorreu em 1906, (uns dão a data de 29 de julho, outros de 8 de agosto) quando o trecho Joinville-São Francisco do Sul foi terminado, tendo sido posto em operação apenas em 1909, quando o trecho foi prolongado até Hansa (hoje Corupá).

A RVPSC dava como data oficial de inauguração o dia 01/06/1910.

Em 1917, o prédio foi ampliado.

Depois de mais de noventa anos de serviços à cidade, até 1996, quando foi fechada pela RFFSA, a Estação, em estilo enxaimel alemão, foi abandonada, com as composições da ALL, concessionária que utiliza a linha, passando de/para o porto de São Francisco do Sul.

Em 1999, a Estação foi comprada pela Prefeitura Municipal e transformada em atração turística (Estação da Memória).

Posteriormente, como costuma acontecer com essas construções, o prédio da Estação acabou abandonado, servindo como moradia de mendigos, traficantes, pombos e cupins, mas no final de 2003 começou a ser finalmente restaurado. Ao seu lado, no armazém de cargas, foi instalado o Memorial da Bicicleta.

Atualmente (2025) o prédio está fechado, porém uma nova restauração do complexo está quase concluída (vide fotos do post). Trecho de texto do Estações Ferroviárias do Brasil adaptado e complementado para o blog.

Localizado na rua Leite Ribeiro S/N.

Nota do blog 1: O complexo Estação da Memória compreende a antiga Estação Ferroviária, a Estação de Cargas e o Memorial da Bicicleta.

Nota do blog 2: A estação foi operada pela Companhia Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande (1906-1942), Rede de Viação Paraná-Santa Catarina (1942-1975) e RFFSA (1975-1996).

Nota do blog 3: Data 2025 / Crédito para Jaf.


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