Imagens da Capela Santa Luzia, Complexo Cidade Matarazzo, São Paulo, Brasil
- Fotografia e Nostalgia

- há 2 horas
- 4 min de leitura




























































Imagens da Capela Santa Luzia, Complexo Cidade Matarazzo, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia
A Capela Santa Luzia, inaugurada em 1922, integra o complexo do antigo Hospital Umberto I, da Sociedade Italiana de Beneficência em São Paulo, popularmente conhecido como “Hospital Matarazzo”, na Bela Vista.
Datado de 1904, esse conjunto de edificações que abrange uma área de 27.419 m² funcionou até 1993, quando o hospital foi à falência. Abandonado e deteriorado, o complexo correu o risco de ser completamente demolido, após ser comprado pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ), em 1996, com a intenção de construir um shopping e um hotel no local.
Uma ação civil pública, porém, impediu a destruição desse patrimônio. O antigo hospital ganhou um novo destino quando foi adquirido pelo Grupo Allard em 2011, para se tornar a Cidade Matarazzo, que, como definiu seu idealizador, o empresário francês Alexandre Allard, trata-se de “uma arborizada ilha de cultura” no meio da metrópole.
Tombado em 1986 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), o complexo também abriga uma reserva remanescente de Mata Atlântica em pleno coração da cidade. Por isso, o projeto da Cidade Matarazzo mescla a preservação de construções de arquitetura neoclássica italiana com design contemporâneo.
Para ser reaberto, o templo passou por um minucioso processo de restauro. Entre os edifícios tombados do complexo, a capela tinha o nível mais alto de restrições para reformas. Por isso, seu restauro exigiu o máximo de fidelidade às características originais. Antes disso, foi necessário um audacioso trabalho de engenharia para preservar a igreja centenária durante a construção dos oito andares de subsolo abaixo de sua fundação.
A capela ficou literalmente suspensa sobre o grande vão, que hoje dá espaço aos andares que abrigam, entre diversas atrações, um centro de eventos e um cinema. Esse trabalho inédito no Brasil envolveu alguns dos mais importantes profissionais do ramo.
O templo foi apoiado em oito pilares que atingiam 60 metros de profundidade. Em seguida, iniciou-se a remoção controlada e manual do terreno original para a execução da nova estrutura. Posteriormente, a passagem das cargas da antiga base para a nova foi realizada por jateamento de água.
Após o trabalho de engenharia, começou o restauro da capela – cujo projeto foi assinado pelo arquiteto Giovanni Batista Bianchi (1885-1942), a começar pela fachada neoclássica que imita o mármore, seguindo a técnica milenar Scagliola, muito usada na Itália na época da construção. O altar de mármore, provavelmente feito fora do Brasil, foi protegido e os detalhes da pintura foram igualmente recuperados. Também houve o restauro de várias imagens sacras que foram recolocadas em seus lugares originais, assim como bancos e demais objetos sacros.
Durante o trabalho de restauro, foram descobertos os afrescos originais sob as camadas de tinta de pinturas posteriores. Em vez de as partes danificadas serem refeitas, optou-se por preservar as marcas do tempo, para despertar no público a consciência sobre o valor histórico do templo. “As técnicas valorizam os aspectos históricos do bem, deixando-o com uma aparência de antiguidade, mas garantindo as condições de uso”, explicou o arquiteto Roberto Toffoli, um dos responsáveis pelo restauro.
Após consultar a planta original da igreja, descobriu-se que havia a previsão da instalação de uma rosácea no alto do coro, que nunca foi concluída. Então, os restauradores obtiveram autorização para incluir um elemento contemporâneo no projeto: um vitral concebido pelo artista Vik Muniz.
A capela foi construída por iniciativa de Dona Virginia Matarazzo, cunhada do industrial italiano Francisco Matarazzo, idealizador do complexo hospitalar em honra de Santa Luzia, de quem obteve a graça da cura de uma doença na visão que acometera um de seus filhos. “Onde o corpo enfermo recebe o tratamento fraternal, também a alma pede conforto de esperança e de resignação”, está escrito em uma placa fixada na parede do templo, em homenagem à idealizadora de sua construção.
A história do serviço religioso realizado no então “Hospital Matarazzo” é contada por diferentes documentos espalhados nas paróquias próximas e no Arquivo Metropolitano de São Paulo.
Há, ainda, algumas cartas e registros que estão no Arquivo da Província dos Padres Camilianos no Brasil, que assumiram a capelania do hospital em 1922. Segundo relatos descritos no livro “Reminiscências Históricas da Fundação Camiliana no Brasil”, naquele ano, o hospital contava com cem leitos e estava na iminência da construção de novos pavilhões, bem como de uma igreja.
No Arquivo da Província Camiliana, há várias correspondências entre os novos capelães que foram ao hospital e os responsáveis legais, inclusive com as assinaturas da Condessa Mariângela Matarazzo e de José Matarazzo, presidentes do hospital. Há também registros da quantidade de batizados, casamentos, confissões e missas realizados anualmente nas dependências do hospital.
No ano de 1952, por exemplo, aconteceram 8.525 confissões, 37.370 comunhões, 343 administrações da Unção dos Enfermos, 235 batismos, 51 casamentos e 460 missas.
Em entrevista concedida em 2017, época das obras de restauro, Alexandre Allard afirmou querer “ressacralizar” a Capela Santa Luzia, “para continuar acontecendo nela funções religiosas, como por exemplo missas, casamentos e batizados”.
Para o empresário, não havia sentido transformar uma construção erguida para culto em um espaço que não tivesse essa finalidade. “Gostaria que aqui houvesse uma comunidade”, afirmou na época, quando iniciaram os diálogos com a Arquidiocese para a retomada das atividades religiosas e pastorais na capela. Trecho de texto de Fernando Geronazzo adaptado para o blog.
Localizada na Alameda Rio Claro, 190.
Nota do blog: Data 2025 / Crédito para Jaf.



Comentários