Imagens da Baleia Metálica / Baleia B32, Avenida Faria Lima, São Paulo, Brasil
- Fotografia e Nostalgia

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Imagens da Baleia Metálica / Baleia B32, Avenida Faria Lima, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia
Texto 1:
A Baleia, construída em alumínio e vidro, foi instalada em 2021 na praça externa do complexo Birmann 32, idealizado pelo empresário Rafael Birmann.
De acordo com ele, a Baleia é um contraponto ao touro da B3, representando a multidisciplinaridade, a criatividade, o espírito colaborativo, superação e respeito ao ambiente.
Texto 2:
Recentemente alguém questionou podemos/devemos colocar adereços na Baleia.
“A Baleia é uma obra de arte e você não pode interferir com ela”, dizia essa pessoa.
Muitas vezes, as pessoas perguntam – Por que essa baleia?
Sua primeira caraterística é ser inusitada, é ser uma provocação fora de lugar. Uma baleia não era para existir ali, naquele mar de pedra e asfalto. De repente, daquela mesmice de prédios enfileirados, saltando de alguma profundeza, surge uma baleia. É algo lúdico, divertido, alegre. Passando por aquele local, todos se despertam – olha, uma baleia!! – todos sorriem e todos vão se recordar - ali, naquele espaço, tinha uma baleia.
Todos desejam algo com a baleia. Posar para uma foto, tirar um selfie, registrar um “eu estive lá”. As pessoas se aproximam, olham, entram na barriga da Baleia e lembram da lenda de Jonas, se questionam, comentam, fazem postagens no Instagram. Tudo é interação, tudo é diálogo entre as pessoas e com a cidade.
Por que um gorro de Papai Noel mal colocado, por 10 minutos, teve tanta repercussão? Um preservativo é algo corriqueiro, não desperta surpresas e, atualmente, não gera indignação nem ofensa. Mas, na Baleia, a brincadeira de parecer o órgão com um preservativo, gerou mais de 120 milhões de visualizações. Não foi obsceno, não foi ofensivo. Foi leve, humorístico, jocoso, foi instagramável. Foi uma piada sobre nós. Podemos ficar ofendidos ou rir juntos. Com todo sucesso alcançado, certamente podemos rir juntos.
A Baleia é uma obra de arte? Sim, mas não no conceito de um quadro intocável, exposto num museu. É arte de rua, é uma instalação, é arquitetura, é urbanismo, e principalmente, é um símbolo. E o que é um símbolo? É um conceito, uma ideia encapsulada, que “se aloja” na mente das pessoas. Ninguém pensa na Baleia simplesmente como um objeto – aquela rua, aquela ponte. Ela é “ela”, “A” baleia. Existe uma relação, sua, com a baleia, gente que gosta de dar-lhe um nome, falar dela com carinho, visitar como um ponto turístico. E o mais incrível é a baleia se comunicar. Falar talvez seja a maior expressão de uma obra de arte, como diria Michelângelo, que ao concluir seu Moisés, impressionado com a própria obra, bateu com o martelo na escultura e disse: “Parla”. (Fala)
Como pode uma baleia falar? Interagindo com São Paulo, dizendo “feliz natal”, “carnaval é alegria”, “Doar sangue é doar vida”. A Baleia fala e a cidade escuta, talvez além de São Paulo.
A Baleia é arte, é instalação, é interação, é cidade e tem tudo para ser um símbolo de uma São Paulo moderna, sofisticada e já é o símbolo inconteste da Faria Lima e dos Farialimers. É lúdica, é brincadeira, é mensagem. É um marco não só do local, mas também temporal, do Carnaval, do Dia das Mães, do Natal. Só não é um fóssil, não é uma múmia, algo morto e intocável, trancado numa sala de museu.
Uma cidade não é um amontoado de prédios e ruas, um prédio não é somente uma quantidade de metros de escritórios. As pessoas intuem o símbolo, querem um “endereço”, desejam fazer parte de “algo mais”. Nossa baleia está viva, está falando, sambando na avenida e é isso que a faz ser mais do que uma mera escultura na frente de um “prédio qualquer, ordinário”, mas sim um “símbolo de um prédio único e extraordinário”
A Baleia tem beleza, tem significados, tem simbologia, tem mística, tem histórias, tem nome, tem surpresa, tem piada, tem alegria, tem movimento, tem vida, tem visualizações e tem repercussão.
Eu não encomendei uma escultura à um artista, eu não contratei um arquiteto para desenhar algo atraente. Com ajuda do meu time, eu fiz a Baleia, fiz para marcar o “location”, ir muito além dos “metros de escritório”, criar uma “cara “, uma imagem viva para o prédio e com isso criar interesse, atração e interação e consequentemente, criar valor.
E tudo isso já é história, já é histórico, já é lenda.
A baleia não foi só um enorme sucesso em si, mas também posicionou o B32 de forma que ninguém imaginava, exceto o nosso time, e, como consequência, impulsionou o prédio para o metro mais valioso de São Paulo. Não por ser mais uma “obra de arte", mas por ser também a realização de uma visão de urbanismo, placemaking e da relação entre a arquitetura e a cidade.
Quem não entende que uma máscara de carnaval faz parte dessa relação está precisando passar por dentro da barriga da Baleia. Texto de Rafael Birmann.
Localizada na Avenida Brigadeiro Faria Lima, 3732, Itaim Bibi.
Nota do blog: Data 2026 / Crédito para Jaf.



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