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Hotel dos Estrangeiros, 1906, Rio de Janeiro, Brasil

Foto do escritor: Fotografia e Nostalgia
Fotografia e Nostalgia
há 1 hora
2 min de leitura

Hotel dos Estrangeiros, 1906, Rio de Janeiro, Brasil

Rio de Janeiro - RJ

Fotografia



Na Praça José de Alencar de 1906, o personagem principal era o Hotel dos Estrangeiros.

Há registros dele desde 1849, quando aquele trecho ainda era conhecido como Largo do Catete. Ficava na confluência das atuais Barão do Flamengo e Senador Vergueiro, esta última, então, Caminho Velho de Botafogo. Até Machado de Assis colocou hóspedes do seu livro "Memorial de Aires" por lá.

A fotografia também registra uma praça que acabara de sofrer uma transformação radical.

Pouco antes, até as obras do "Bota-Abaixo" com a avenida Beira-Mar, o rio Carioca corria, já com seu percurso “otimizado”, a céu aberto ali.

Antes da “otimização”, seguia uma perna para o Catete, que iria ter sua foz depois da Praia do Rússel e outra seguiria diretamente para o mar em frente, na Praia do Flamengo.

Praticamente da posição onde Malta estava ficava, talvez, a mais importante das pontes sobre o rio Carioca / Catete: a ponte do Salema, ou ponte do Catete, passagem do antigo caminho em direção a Botafogo. Havia, inclusive, cobrança de pedágio para atravessá-la.

Desapareceu no século XIX e, com a canalização subterrânea definitiva daquele trecho do rio no início do século XX, sumiu também o curso d'água da paisagem.

No centro está José de Alencar, monumento de Rodolfo Bernardelli, inaugurado em 1897, quando o antigo Largo do Catete passou a carregar o nome do escritor. Na fotografia de Malta, a estátua estava posicionada de frente para o Hotel dos Estrangeiros; pouco depois seria novamente orientada para a rua Marquês de Abrantes. E ainda mudaria outras vezes de posição ao sabor das sucessivas reformas da praça.

À esquerda começa a rua Barão do Flamengo. O rio Carioca canalizado seguia justamente por ali em direção à sua foz, então muito mais próxima daquele ponto do que a praia atual faria imaginar.

Além de hospedagem, o Hotel dos Estrangeiros também era um importante ponto de encontro da classe política e, em relação a isso, acabou ficando marcado por ter sido palco do assassinato do senador gaúcho Pinheiro Machado em 1915, quando lá estava para uma reunião com outros membros da elite política nacional.

Ainda atravessaria boa parte do século XX, mas foi demolido em 1951. Em seu terreno gigantesco, que ia desde a beira da Praia do Flamengo até a praça, surgiu o Edifício Simon Bolívar, que vemos ocupando o lado esquerdo na fotografia atual.

Junto com o hotel, foi também abaixo um pouco da história carioca. Texto do Rio Ontem e Sempre.

Nota do blog: Imagem 1, data 1906, crédito para Augusto Malta / Imagem 2, data não obtida, crédito para RO&S.

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