Herma de Garibaldi / Monumento a Giuseppe Garibaldi, Parque Jardim da Luz, São Paulo, Brasil
- Fotografia e Nostalgia

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Herma de Garibaldi / Monumento a Giuseppe Garibaldi, Parque Jardim da Luz, São Paulo, Brasil
São Paulo - SP
Fotografia
Texto 1:
O monumento erguido em homenagem a Giuseppe Garibaldi foi inaugurado em 1910.
Obra do escultor romano Emílio Gallori, era tida naquela época como a única arte escultórica de São Paulo.
O local foi o centro de festas de italianos, que durante muitos anos iam homenagear o ilustre conterrâneo, revolucionário nacionalista e líder da luta pela independência da Itália que apoiou, no Brasil, a Revolução Farroupilha, onde conheceu Anita (depois Anita Garibaldi), que viria a ser sua companheira.
O monumento é testemunho da presença marcante dos imigrantes no Jardim da Luz, a região do Bom Retiro, onde está inserido o Parque, tornou-se passagem obrigatória dos ciclos migratórios ligados ao trabalho em teares e máquina de costura. O bairro foi a primeira moradia de muitos estrangeiros, vocação mantida até hoje. Uma vez no Parque Jardim da Luz, é comum nos depararmos com judeus, italianos, gregos, bolivianos, coreanos, etc. Trecho de texto da PMSP adaptado para o blog.
Texto 2:
Giuseppe Garibaldi (Nice, 1807 – Caprera, 1882) integrou ativamente a Jovem Itália de Mazzini (1833). Ameaçado de morte, fugiu com destino ao Brasil em 1836, onde, com recursos fornecidos por Bento Gonçalves — líder da Revolução Farroupilha — enfrentou tropas imperiais na Lagoa dos Patos. Em seguida, ajudou Davi Canabarro a conquistar Laguna, onde foi proclamada a República Juliana em 1939. Lá, conheceu e se apaixonou por Anita – Ana Maria Ribeiro da Silva –, que passou a acompanhá-lo em suas ações, tornando-se combatente também. Em 1848, Garibaldi voltou à Itália, empreendendo uma série de lutas e ações militares, com a finalidade de unificar a Itália e de promover Roma a sua capital. Considerado um “rebelde profissional” por sua participação ativa em vários movimentos armados na Europa e na América do Sul, ficou conhecido como “Herói de Dois Mundos”.
Garibaldi era uma personalidade extremamente reverenciada e respeitada no início do século XX. Entidades formadas por imigrantes italianos em São Paulo o tinham em grande apreço, tendo partido delas a iniciativa de homenageá-lo com a ereção de um monumento no Jardim da Luz.
Icilio Forelli, vice-presidente do “Comitê Popular”, promotor da comemoração do Centenário de Garibaldi, em 1907, encomendou o busto ao escultor italiano Emílio Gallori (Florença, 1846 – Siena, 1924), que, em Roma, aceitou executar a obra gratuitamente. Os custos do evento foram cobertos pela organização de festas, espetáculos de benefícios e pela colaboração de associações.
O "Comitê Popular" solicitou uma autorização à Câmara Municipal para implantar, no “jardim público” da Capital, o busto de Garibaldi. Uma comissão de peritos, integrada por Francisco de Paula Ramos de Azevedo, Jorge Krug e pelo escultor Amadeu Zani foi formada, a fim de julgar o mérito artístico do trabalho. Emílio Gallori trouxe a obra a São Paulo, executada pela Fundição Bastianelli de Roma, e convidou os peritos a examiná-la de perto. O parecer da comissão foi favorável e, no dia 1º de maio de 1910, o Monumento a Giuseppe Garibaldi foi inaugurado em meio a grande festa.
Às 13 horas, centenas de pessoas partiram da Praça da República em direção ao Jardim da Luz, portando bandeiras e estandartes. Cerca de 4.000 pessoas, membros de associações de imigrantes, vieram do interior de São Paulo para acompanhar o evento. Quando o cortejo chegou ao jardim, às 15 horas, mais de 10.000 pessoas os aguardavam. Houve falatório e confusão. O vice-prefeito em exercício, Conde Asdrúbal do Nascimento, compareceu ao evento. Olavo Bilac também esteve presente e leu um discurso inaugural. Em um trecho, dizia: “Pela segunda vez, como brasileiro, venho aos italianos de São Paulo falar desse soldado inimigo da guerra, deste batalhador amigo da paz — guerrilheiro cujo ideal era o estabelecimento da concórdia entre os homens, último glorioso cavaleiro andante que andou pela terra, vagabundo sublime, oferecendo o seu sangue em holocausto à liberdade humana”.
O escultor Emílio Gallori não compareceu à inauguração, mas recebeu, em Roma, um telegrama da parte dos organizadores relatando o evento. A edição do jornal "O Comércio de São Paulo" do dia seguinte exibia fotos de bandas musicais postadas em frente ao Jardim da Luz e de “garibaldinos” perfilados, vestindo suas características camisas vermelhas.
Vinculado ao surgimento da nacionalidade italiana, Garibaldi sempre esteve associado às comemorações patrióticas dos italianos em São Paulo, que, depois de se empenharem na construção do monumento em sua homenagem, todos os anos celebravam sua data nacional – 20 de setembro – junto à herma no Jardim da Luz, com banda de música, cortejo, desfiles de escolares, discursos e deposição de flores. Invariavelmente, a multidão arrasava os canteiros, que precisavam ser replantados pelo administrador do jardim.
A herma de Garibaldi foi restaurada no ano 2000. A inscrição, de autoria de Enrico Ferri, na face frontal do pedestal, foi recomposta:
"A Giuseppe Garibaldi, braccio eroico, per la libertà dei popoli, cuore magnanimo, perogni piu' umana aspirazione, di sociale giustizia, 10 maggio 1910". Texto do DPH.
Nota do blog 1: Herma em bronze instalada em uma base de granito.
Nota do blog 2: Data 2025 / Crédito para Jaf.



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