top of page

Blog destinado a divulgar fotografias, pinturas, propagandas, cartões postais, cartazes, filmes, mapas, história, cultura, textos, opiniões, memórias, monumentos, estátuas, objetos, livros, carros, quadrinhos, humor, etc.

Ford Escort JPS 1985, SR Veículos Especiais, Brasil

Foto do escritor: Fotografia e Nostalgia
Fotografia e Nostalgia
5 de out. de 2025
3 min de leitura

Ford Escort JPS 1985, SR Veículos Especiais, Brasil

Fotografia


Primeiro carro mundial da Ford, o Escort de terceira geração foi projetado por engenheiros europeus e norte-americanos. Quando chegou ao Brasil, em 1983, trouxe avanços como motor transversal, suspensão independente nas quatro rodas e notável aerodinâmica. Foi a base perfeita para a SR Veículos Especiais, que logo apresentou o Escort JPS (John Player Special).

Notória pela presença na Fórmula 1, a marca JPS era representada no Brasil pela Companhia de Cigarros Souza Cruz: o preto e dourado dos maços foram replicados na pintura preta com filetes dourados, que marcou a conquista do primeiro campeonato mundial de Emerson Fittipaldi, em 1972. Além da pintura, o Escort também recebia rodas e grade dianteira exclusivas, defletor dianteiro, saias laterais e aerofólio traseiro duplo.

A SR, por sua vez, originou-se da concessionária paulistana Souza Ramos, reconhecida pelo desenvolvimento da versão perua do Ford Maverick. Fundada por Eduardo de Souza Ramos, a SR consolidou sua reputação com o desenvolvimento do Ford Corcel Hatch e pelo capricho na transformação dos utilitários F-100 e F-1000 em picapes de cabine dupla.

Era o que havia de melhor em tempos de petróleo caro e mercado fechado aos importados. O próprio Escort foi uma vítima da recessão econômica: no lugar do motor CVH europeu ele recebeu o pacato CHT, com comando de válvulas no bloco, evolução do motor que o Corcel já usava havia 15 anos. Mesmo apimentada, a versão esportiva XR3 era limitada pelos 83 cv.

O segredo do Ford Escort JPS estava no turbocompressor Garret, que operava a 0,5 bar de pressão para gerar estimados 100 cv a 5.600 rpm – superior aos 97 cv do XR3 europeu. A potência extra resultou em ganho expressivo no desempenho: o 0 a 100 km/h baixava de 14,34 segundos para 10,97 s e a máxima saltava de 164,76 km/h para 177,77 km/h.

“A taxa de compressão de 12:1 e a baixa pressão do trabalho resultavam em uma entrega de potência suave e linear”, lembra o jornalista Emilio Camanzi. “O turbo entrava em funcionamento entre 2.500 e 3.000 rpm e atingia a pressão máxima a 4.000 rpm, sem comprometer o consumo de 6,59 km/l de etanol na cidade e 11,47 km/l na estrada.”

O problema nem era o valor do kit turbo, equivalente a R$ 16.622 de hoje, o desafio estava em recalibrar um motor alimentado por carburador e com um sistema de ignição tradicional, com atenção especial à curva de avanço do distribuidor. A bomba de combustível também precisou ser alterada para garantir o maior volume exigido com o uso do turbo.

Entre os acessórios oferecidos pela SR estavam o limitador de rotação (a 6.100 rpm), manômetro de pressão do turbo e trocador de calor para o óleo lubrificante, inexistente nas versões mais simples do Escort e indispensáveis frente à ausência do manômetro de pressão e do termômetro do óleo. Superdimensionados, suspensão e freios permaneceram inalterados.

A SR logo percebeu que muitos de seus abastados clientes pagariam ainda mais por um Escort de visual realmente diferenciado. Foi então que a empresa desenvolveu uma dianteira completamente nova, com capô mais baixo e faróis escamoteáveis. O visual agressivo era reforçado por para-lamas alargados e novo desenho do para-choque e aerofólio traseiros.

O Escort JPS redesenhado foi novamente testado, agora sem o kit turbo. Os 89 kg a mais dos apêndices aerodinâmicos representavam um ganho de peso de 10% e comprometeram o desempenho: o 0 a 100 km/h era realizado em 16,85 segundos e a máxima caiu para 151,89 km/h. O novo perfil aerodinâmico melhorou o consumo acima dos 100 km/h.

O kit turbo foi aprimorado com adição de um intercooler. A usinagem do cabeçote diminuiu a taxa de compressão para 10,5:1 e permitiu o aumento na pressão do turbo para 0,6 bar, resultando em 120 cv e 0 a 100 km/h em menos de 10 segundos. A oferta do kit JPS para o Escort foi encerrada pouco antes da reestilização do modelo para 1987: a SR passou a se dedicar, então, aos utilitários Ford, de maior valor agregado.

Ficha técnica Ford Escort JPS 1985

Motor: Transversal, 4 cilindros em linha, 1.555 cm3, carburador de corpo duplo;

Potência: 74 cv a 5.200 rpm;

Torque: 12,2 kgfm a 2.400 rpm;

Câmbio: Manual de 5 marchas, tração dianteira;

Dimensões: Compr. 397 cm, larg. 164 cm, altura 132,4 cm, entre-eixos 240,2 cm;

Peso: 994 kgs;

Pneus: 185/60 HR 14;

Aceleração: 0 a 100 km/h 16,85s;

Velocidade máxima: 151,89 km/h;

Consumo (etanol): Urbano: 8,97 km/l; Rodoviário: 12,54 km/l. Texto de Felipe Bitu / Quatro Rodas.

Nota do blog: Data 2025 / Crédito para Fernando Pires.


Comentários


bottom of page