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Escola de Minas, Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil

  • Foto do escritor: Fotografia e Nostalgia
    Fotografia e Nostalgia
  • há 2 horas
  • 7 min de leitura

Escola de Minas, Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil

Ouro Preto - MG

N. 7

Fotografia - Cartão Postal


Texto 1:

A história da Escola de Minas de Ouro Preto está diretamente ligada à história do desenvolvimento acadêmico de qualidade e da pesquisa científica da maior nação da América do Sul. Desde o descobrimento do Brasil, a coroa portuguesa procurava saber quais seriam as reais dimensões das riquezas das novas terras, para poder explorá-las. Havia até mesmo uma certa desconfiança de outros países europeus de que a coroa portuguesa escondia quais seriam as reais riquezas da sua colônia sul- americana, como por exemplo expressava a Holanda, que chegou a criar uma missão de exploração no nordeste do Brasil. O fato é que, nesses primeiros anos pós- descobrimento, nem mesmo Portugal sabia a real dimensão da potência econômica da nova colônia. A dúvida sobre as riquezas brasileiras ainda hoje é perene, prova disso é que, em pleno século XXI, não há uma certeza sobre o que realmente a região Amazônica possui para ser ainda explorada.

Com a decadência do ciclo da mineração do ouro e do alto custo de importação do ferro da Suécia, a coroa portuguesa percebeu que seria necessário investir em processos de extração e na formação de cientistas para desenvolver o setor mineral do Brasil Colônia. José Bonifácio Andrada e seu irmão Martim Francisco foram enviados para a Europa, lá ficando por 10 anos estudando as ciências naturais e exatas para essa finalidade. O príncipe regente D. João VI contratou o Barão de Eschwege para estudos e desenvolvimentos de processos minero siderúrgicos. O problema da importação do ferro sueco começou a ser solucionado com o desenvolvimento de pequenas usinas de redução de minério em Ipanema, na província de Minas Gerais. Eschwege obteve maior sucesso produzindo ferro em Congonhas do Campo, sendo ainda o primeiro cientista brasilianista a realizar estudos de pesquisa geológica das terras brasileiras. Os resultados dos seus trabalhos foram publicados no livro Pluto Brasiliensis, em 1833.

Com a independência do Brasil de Portugal e a realização de uma Assembleia Constituinte em 1823, foram discutidas a criação de universidades e de uma escola mineralógica na província de Minas Gerais, para o desenvolvimento econômico do novo Império. Decretos sobre a fundação de uma instituição de ensino para esse fim foram discutidos e publicados pela Assembleia Legislativa da Província de Minas Gerais na primeira metade do século XIX. Passados alguns anos, a Escola Central do Rio de Janeiro foi transformada em Escola Politécnica, em 1874. Este era o cenário que fez com que, impulsionado pela curiosidade e necessidade de crescimento econômico, o Imperador do Brasil, D. Pedro II, em sua segunda viagem pela Europa, convidasse o cientista Auguste Daubrée, para visitar o Brasil e realizar estudos sobre as riquezas minerais que o Império potencialmente poderia ter. Acontece que, por força do destino, o engenheiro Daubrée havia acabado de ser nomeado diretor da Escola de Minas de Paris, o que o impedia de aceitar o convite de D. Pedro II. A solução para atender o Imperador foi indicar um cientista talentoso que havia estudado com Pasteur, Claude-Henri Gorceix, que estava se destacando por sua capacidade intelectual e por seu trabalho científico em sítios arqueológicos vulcânicos realizados na Grécia e Turquia.

Claude-Henri Gorceix não só aceitou realizar estudos das riquezas minerais do Brasil como propôs para o Imperador D. Pedro II, depois de conhecer todas as regiões com potencial mineralógico do país, fundar uma Escola de Minas na província de Ouro Preto. Além da Escola de “Mineiros” como Gorceix a princípio batizou a instituição, em 1876, ele também fundou dois anos depois, em 1878, um curso preparatório para corrigir as deficiências acadêmicas de candidatos da escola. A modesta escola de Gorceix, composta de três edificações, uma das quais, segundo o próprio CH Gorceix em carta para o Imperador, “um prédio público que estava destinado para servir como escola de meninas”, estava situado entre a Igreja das Mercês (de cima) e da Misericórdia e a primeira Santa Casa de Ouro Preto, na rua das Mercês. Atualmente a rua se chama Padre Rolim, o casarão de 2 andares que seria uma escola de meninas permanece com o número 77, identificado com uma placa comemorativa do 1º Centenário da Escola em 1976, em sua fachada.

Foi nessa escola que Gorceix fez história revolucionando o ensino acadêmico do Brasil, ao implementar no país uma formação que ultrapassava a teoria, incentivando a prática, o pensar e o refletir, introduzindo métodos de estudos desconhecidos pelos brasileiros, como a obrigatoriedade de uso dos cadernos para anotar as aulas ministradas, obrigando o aluno a evitar ausências e a prestar atenção ao conteúdo dado. A abolição de decorar livros, a ênfase na docimasia - aulas práticas em laboratórios próprios, jornada de 7 às 17h e trabalhos de campo nos períodos de férias acadêmicas. A importância da Escola de Minas foi demonstrada pelas duas visitas que recebeu da família imperial brasileira. Sua fama correu mundo e a instituição ganhou diversas premiações internacionais. Suas práticas geraram frutos, seus alunos ocuparam todos os tipos de cargos de relevância da nação. Gorceix, esse professor francês, com um brasileiro, conseguiu com o seu trabalho, alterar o futuro acadêmico da educação do setor minero-metalúrgico do Brasil.

Com a queda do Império e a instituição da República, CH Gorceix retorna para a França. A Escola de Minas que mudou não só o Brasil, mas também mudou para sempre a vida do prof. Gorceix. Ele se casou com uma brasileira, ouro-pretana de origem e, nunca deixou de trabalhar pelo desenvolvimento da nação, chegando até mesmo a ocupar um cargo de Inspetor do Ensino Agrícola de Minas Gerais no governo de Crispim Bias Fortes, enquanto exercia o cargo de prefeito da cidade francesa de Bujaleuf. Mesmo durante a 1ª Guerra Mundial Gorceix não cessou suas atividades, lutando pela melhoria das escolas da sua região de origem, até a sua morte em 1919.

Destinada ao sucesso, a Escola de Minas seguiu o seu caminho, sendo dirigida pelos discípulos do Prof. Gorceix. Em pouco tempo a relevância da Escola de Minas se confundia com o desenvolvimento intelectual e industrial brasileiro, se tornando uma das mais influentes instituições de ensino do Brasil. Entre seus alunos figuram personagens importantes da história do país. A tradicional Escola de Minas foi integrada em 1969 a Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP. Com um vasto patrimônio, laboratórios de ponta, bibliotecas modernas, além de obras raras e um excelente conjunto de museus temáticos do setor mínero-metalúrgico, a Escola de Minas é reconhecida pela excelência acadêmica e desenvolvimento tecnológico, o que permite que a instituição esteja sempre à frente do seu tempo. Texto da Escola de Minas.

Texto 2:

A Escola de Minas foi criada pelo decreto n. 6026 de 6 de novembro de 1875, em Ouro Preto, Minas Gerais, com o objetivo de preparar engenheiros para a exploração das minas e para os estabelecimentos metalúrgicos. Assim como a maioria dos órgãos educacionais do período, era subordinada à Secretaria de Estado dos Negócios do Império. Com a ascensão do novo regime, o governo promoveu uma série de reformas educacionais que visavam à disseminação dos valores republicanos. Nesse contexto foi criada a Secretaria de Estado dos Negócios da Instrução Pública, Correios e Telégrafos, pelo decreto n. 377-A de 5 de maio de 1890, e a Escola de Minas passou para sua administração.

O decreto n. 1258 de 10 de janeiro de 1891, instituiu um novo regulamento, que alterou a organização da Escola de Minas. De acordo com esse ato, ela seria composta pela Congregação de Lentes; Secretaria; Biblioteca; pelos gabinetes e laboratórios de Física Experimental; Química Geral; Docimasia; Mineralogia e Geologia; Botânica e Zoologia; Biologia; Materiais de Construção, Resistência dos Materiais, Hidráulica e Máquinas; Arquitetura, Tecnologia, Estradas, Pontes, Navegação e Portos de Mar; Metalurgia; Descritiva, Perspectivas, Sombras, Estereotomia e Modelos para diferentes trabalhos gráficos; Topografia, Geodésica e Hidrográfica; além dos observatórios Astronômico e Meteorológico. O decreto também criou o ensino de Engenharia Civil na escola, que duraria quatro anos. O curso de Engenharia de Minas permaneceu com três anos de duração. O regulamento ainda criou os títulos de bacharel e doutor em ciências. Para obter o grau de bacharel, o aluno deveria obter notas acima de 15 durante todo o curso preparatório e nos superiores. O curso preparatório continuou concedendo o título de agrimensor e passou para quatro anos de duração.

Com a extinção da Secretaria de Estado dos Negócios da Instrução Pública, Correios e Telégrafos, pela lei n. 23 de 30 de outubro de 1891, que reorganizou os serviços da administração federal, a Escola de Minas ficava subordinada ao Ministério da Justiça e Negócios Interiores. Em 1892, o decreto n. 1159, de 3 de dezembro, aprovou o código das disposições comuns às instituições de ensino superior, estabelecendo regras de funcionamento e acesso de alunos e professores. Para adequar o funcionamento da escola a esse ato, foi promulgado um novo regulamento pelo decreto n. 1546 de 18 de setembro de 1893.

Ao contrário das outras instituições educacionais no início da República, como a Escola Militar, a Politécnica e a Faculdade de Medicina do Rio, o positivismo não exerceu influência na Escola de Minas. Claude-Henri Gorceix, primeiro diretor da escola, implantou uma metodologia de ensino prático, com ênfase nas experimentações. Esse modelo, tido como inovador para época, pode ter contribuído para que as especulações filosóficas do positivismo brasileiro não tivessem adeptos na escola.

Em 1901, uma nova reforma educacional foi instituída por meio do decreto n. 3890 de 1º de janeiro, que aprovou outro código para os institutos oficiais de ensino superior e secundário, dependentes do Ministério da Justiça e Negócios Interiores. Nesse contexto, a Escola de Minas de Ouro Preto teve novo regulamento aprovado, pelo decreto n. 4017 de 11 de maio de 1901, sem alterações significativas no seu funcionamento.

O decreto n. 1606 de 29 de dezembro de 1906, criou o Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, que, dentre diversas atribuições, passou a ser responsável pelos assuntos relacionados a mineração, explorações e serviço geológico, bem como pelos estabelecimentos metalúrgicos e escolas de minas. Além da formação na área de mineração, o ministério tornou-se responsável pelo ensino industrial, comercial e agrícola, numa perspectiva de desenvolver mão de obra qualificada nessas áreas. A nova pasta, entretanto, só funcionou a partir de 1909. No ano seguinte, a Escola de Minas de Ouro Preto teve nova regulamentação, instituída pelo decreto n. 8039 de 26 de maio de 1910.

A escola manteve a mesma configuração administrativa até década de 1920, quando o decreto n. 14486 de 22 de setembro de 1920, instituiu outro regulamento. Nesse ano, é possível observar uma ampliação nas cadeiras oferecidas, como, por exemplo, as oficinas de Eletrotécnica; de Construtor Mecânico e Reparações; e de Madeiramento, Carpintaria e Marcenaria. Em 1926, o decreto n. 17545 de 10 de novembro, autorizou o funcionamento e aprovou o regulamento do Curso de Química Industrial, que fora previsto no decreto n. 14486 de 1920.

O decreto n. 5527 de 10 de setembro de 1928, transferiu a Escola de Minas do Ministério da Agricultura, para o Ministério da Justiça e Negócios Interiores, responsável pelos demais institutos educacionais de nível superior. Com a criação do Ministério da Educação e Saúde Pública, em 1930, os órgão federais de ensino passaram a ser subordinados a esta nova pasta. Texto de Louise Graber.

Nota do blog: Data e autoria não obtidas.

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